No Debate sobre o Estado do Município, a deputada municipal do Bloco de Esquerda confrontou o executivo com as falhas estruturais do concelho. Para os bloquistas, o desenvolvimento de Loures não se mede em anúncios de milhões, mas nas escolas, nos transportes e no acesso à habitação.
A intervenção da deputada municipal Rita Sarrico marcou a posição do Bloco de Esquerda no Debate sobre o Estado do Município de Loures, rejeitando a visão de um concelho gerido à base de anúncios e Powerpoints. "Um Debate sobre o Estado do Município deve ser, antes de tudo, um exercício de balanço. Não pode ser um desfile de propaganda", afirmou a eleita, sublinhando que a verdadeira avaliação tem de incidir sobre aquilo que efetivamente mudou na vida de quem vive em Loures.
Numa intervenção que contrastou os grandes projetos em curso com as dificuldades diárias da população, o Bloco destacou as áreas onde as respostas da Câmara Municipal continuam a falhar. Na área da educação, e embora reconhecendo a importância das obras de requalificação no parque escolar, Rita Sarrico alertou que os problemas se arrastam no pré-escolar e no 1.º ciclo, lembrando que a política educativa não pode ser reduzida às obras nos edifícios. É urgente garantir boas condições de funcionamento, refeições adequadas e condições de trabalho para as comunidades educativas.
No que toca à emergência ambiental, o Bloco saudou a existência de um Plano de Ação Climática, mas exigiu que este saia da gaveta. Lembrando a destruição causada pelos recentes fenómenos meteorológicos extremos no concelho, a deputada frisou que responder aos estragos é apenas uma parte do trabalho, sendo a outra, e mais fundamental, preparar o território para que seja cada vez mais capaz de os evitar e de lhes resistir.
A mobilidade foi outro dos focos da intervenção. A aprovação de novas ligações pedonais e cicláveis, como o percurso ribeirinho, foi apontada como positiva. Contudo, a dura realidade é a de um concelho refém do automóvel. A deputada criticou duramente o aumento dos custos associados ao estacionamento sem que existam alternativas eficazes de transporte público, classificando a medida como mais um imposto cego sobre a população.
A Crise na Habitação e na Cultura
Apontando para aquelas que são as falhas mais profundas do atual modelo do município, Rita Sarrico destacou a impossibilidade de famílias e jovens continuarem a viver no concelho onde cresceram devido à especulação habitacional, bem como a ausência de uma política cultural digna de um município com mais de 200 mil habitantes.
Loures capta investimento e tem condições únicas, mas a eleita do Bloco deixou a questão central que deve orientar o debate político: "Que desenvolvimento queremos?"
"Um desenvolvimento que possa ser apresentado através de números e anúncios ou um desenvolvimento que seja sentido na escola que uma criança frequenta, no transporte que uma pessoa apanha para trabalhar, na casa que consegue pagar, no espaço público que utiliza ou na resposta que encontra quando precisa dos serviços públicos?", questionou.
O Bloco de Esquerda garantiu que continuará a fazer uma oposição responsável e frontal, reconhecendo os avanços quando existem, mas fiscalizando, questionando e apresentando as alternativas necessárias para construir uma vida justa em Loures.